sábado, 11 de julho de 2009

PRENDAS DE BOMBACHA ?!


PRENDAS DE BOMBACHA!?!
by José Itajaú for everyone

Laço Prenda, em Uruguaiana-RS



ANO 78 - N. 283 - Cachoeira do Sul - sábado, 09 de junho de 2007

DE BOTA & BOMBACHA
Prendas de bombacha

Daniel Leite (daniel.gaucho@bol.com.br)


Inicio na matéria vinculada no JP, na semana passada. “Para evitar a volta de uma velha polêmica na hora das mulheres desfilarem a cavalo no Dia 20 de Setembro, a ATC resolveu liberar o uso das bombachas para elas.”

A finalidade da ATC não é evitar polêmica ou administrar interesses e sim ser um elo de ligação entre as entidades tradicionalistas do município, bem como coordenar a Semana Farroupilha, defendendo e preservando a verdadeira cultura gaúcha. Seu presidente, Vorni Prestes é uma das figuras cachoeirenses mais engajadas no Movimento Tradicionalista, mas que à frente da entidade que preside deve acatar a decisão da maioria de seus integrantes, no caso as próprias entidades tradicionalistas.

Causou-me espanto esta semana ao ler neste Jornal a quantidade de manifestações contrárias à liberação do uso de bombachas para elas no desfile, e aproveito para parabenizar os leitores que com coragem expõem suas idéias, sem receio de levar puaço.

Sei que o MTG na 67ª Convenção Tradicionalista, em 2005, em Tramandaí, aprovou as diretrizes para a “Pilcha Gaúcha”. A pilcha campeira feminina, indumentária a ser utilizada nas atividades campeiras, tais como rodeios, cavalgadas, desfiles e outras lidas é composta por: chapéu, sendo vedado o uso de boinas e bonés, barbicacho, lenço, camisa, cinto, tirador, faixa, bombacha, bota, espora e faca. Claro que todos estes itens possuem especificações próprias para o uso feminino, diferindo muitas vezes das peças usadas na indumentária masculina.

Na minha concepção mulher é mulher e tem que se portar e vestir como tal. A mulher gaúcha é bonita, feminina, delicada; estão masculinizando e abrutalhando a nossa prenda.

É claro que em um evento de lida realmente campeira como cavalgada e rodeio, aonde mulheres participem, os trajes utilizados deverão ser mais apropriados para a atividade desenvolvida. Trajes alternativos devem ser adotados mas, buscando sempre preservar a feminilidade da prenda, e não simplesmente travesti-la de peão. Mas no Desfile Farroupilha, especificamente, sou contra o uso de trajes masculinos ou masculinizados; é um momento de louvação, respeito e exaltação à cultura e à tradição gaúcha; as prendas pedem ir devidamente pilchadas, engajando-se no princípio do desfile que é de homenagear a causa farroupilha.

Ano passado não houve desfile por causa da chuva, somente em 2005. Tenho uma filha de 10 anos, que desde que nasceu desfila, sempre rigorosamente pilchada de Vestido de Prenda. Em 2005, ela desfilou pelo CTG José Bonifácio Gomes, sendo a única prenda que desfilou de vestido nessa entidade. Ao contrário, nesse mesmo ano todas as prendas do CTG Estância do Chimarrão desfilaram com vestido. Isto para mim é cultuar a tradição; não pensem que Mariana, minha filha, se pilcha como uma legitima prenda por imposição dos pais; é opção dela; adora estar vestida de prenda, mesmo sendo incômodo e muitas vezes quente, em uma demonstração de amor ao Rio Grande. Posso dizer, sem medo de errar, que minha filha é muito mais gaúcha que muitos daqueles que desfilam no 20 de Setembro, e que deturpam os valores do Tradicionalismo ou avalizam tais deturpações.

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