terça-feira, 16 de setembro de 2008

O piquete de cinco gerações








fotos: Anderson Petroceli e arquivo Frank


A cada nascimento que ocorre na família Marques, de Uruguaiana, uma mesma frase é repetida: chegou mais um peão ou prenda para animar o piquete.

Entre os três filhos, 18 netos, 21 bisnetos e quatro trinetos de Valter Marques, 90 anos, não há quem não cultive as tradições gaúchas. É por isso que, há seis anos, a família decidiu montar o próprio piquete.

A tapera de chão batido onde a família dançava durante a Semana Farroupilha até as botas ficarem pretas de barro deu lugar a um belo galpão do Piquete dos Marques, que recebe agora não só os descendentes de Valter, mas toda a comunidade.

Foi levando os filhos para bailes gaúchos e desfiles farroupilhas que o patriarca cultivou neles a paixão pelo tradicionalismo. Natural de Alegrete, ele viveu no campo até os 17 anos. E do pai herdou os ideais republicanos:

– Meu pai era um agregador, um revolucionário. Herdei isso dele. Desde guri, gostava das lidas campeiras. Depois me mudei para a cidade, me tornei ferroviário, organizava greves, fugi da ditadura e me exilei no Uruguai. Mas nunca deixei de lado a tradição.

A filha dele, Vani Marques, atual patroa do piquete, lembra como eram as reuniões iniciais e se orgulha do que aquela “bagunça” se transformou.

– Tínhamos um terreno baldio na frente da nossa casa e, capitaneados pelo pai, os netos e os bisnetos armaram uma barraca de lona e taquara, com fogo de chão e muita vaneira. Começamos a fazer bailes ali. Todo mundo saía com os pés embarrados. Mas a diversão era garantida – conta.

Piquete converte carioca em gaúcho

Hoje, o Piquete dos Marques tem programações durante todo o ano, mas na Semana Farroupilha o cronograma é especial. Jantares, bingos, bailes e torneios de truco divertem o pessoal até a madrugada. O patriarca participa da organização dos eventos e é o último a sair sempre.

A família é tão empolgada que converteu um carioca em gaúcho.

– Neste ano, fui ao Cristo Redentor de bombachas. Todo mundo queria tirar foto. Agora já danço um vanerão como se fosse nascido aqui. Mas, no início, diziam que eu dançava rebolando – diz Frank Barcelos, que mora há 13 anos no Estado.

marina.lopes@zerohora.com.br

MARINA LOPES Uruguaiana/Correspondente

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