terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Homenagem da Câmara aos 173 anos da Revolução Farroupilha

Canto do Hino Rio-grandense, pelos componentes da Mesa da Sessão Solene
Raul Canal, João Francisco Ioung Petroceli, Dep. Pompeo de Mattos, Fernando Guedes e Ian de Oliveira Dias

A Câmara dos Deputados, em Sessão Solene realizada hoje, 15 de setembro de 2008, no Plenário Ulysses Guimarães, homenageou os 173 anos da Revolução Farroupilha.
O presidente da Mesa Diretora da Sessão, Dep. Mauro Benevides (PMDB/CE), em nome do Presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT/SP), afirmou ter sido o Rio Grande um Estado de ideais firmes e de índole guerreira, características estas que realçam aquele grande acontecimento épico que tanto engrandeceu e dignificou o Povo Gaúcho Sul-brasileiro: a Revolução Farroupilha.
O Deputado Pompeo de Mattos, o autor do requerimento que originou a referida Sessão Solene e o primeiro a fazer o uso da palavra, ressaltou ser um objetivo de todos o resgate da História do Rio Grande do Sul e a dignidade de seu bravo povo, que é brasileiro, pois o Povo do Rio Grande nunca negou a sua brasilidade, uma vez que ele fora o responsável pela demarcação das fronteiras sulinas da Pátria Brasileira, a patas de cavalo e a pontas de lança. O amor do gaúcho a sua Terra, reafirmou o Deputado Gaúcho, não é uma forma de arrogância, mas de afirmação da sua brasilidade sul-rio-grandense; o que o Povo Gaúcho Brasileiro quer é uma vida com dignidade, bem-vivida, com postura e altivez, sem ter que dobrar a espinha ou prostrar-se de joelhos no chão.
Relembrou, ainda, que o Rio Grande que em 1835 fez eclodir a Revolução Farroupilha guerreou em 1893, foi pé no chão em 1923; em 1930, com Getúlio Vargas; em 1945, na Itália, com os seus pracinhas, para defender a democracia e combater o nazismo e o fascismo; em 1961, com a Legalidade, com Leonel Brizola, para exigir o cumprimento da Constituição Federal. Enfatizou serem essas as nossas raízes, a nossa essência, assim como é a nossa Tradição; que a Cultura Gaúcha Sul-rio-grandense está representada por mais de 2.500 Entidades Tradicionalistas e por um outro grande número delas em todo o Brasil e no exterior; que mais de 6 milhões de pessoas estão envolvidas com o Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro, esse Movimento Cultural sem precedentes históricos em nenhuma outra região do mundo; que esse é o nosso Jeito Campeiro de Ser; que o Povo Gaúcho, irmanado com todas as raças, sob o mesmo céu azul do Rio Grande Amado, formou a sua Extirpe de Gaúcho. E ao recitar versos da sua lavra, explicou “que só o gaúcho é desse jeito!”.
Após declamar versos de Jayme Caetano Braun, afirmou que o gaúcho não quer se separar do Brasil, o que ele quer é ser respeitado; que para o país ir bem, o Rio Grande tem que estar de pé.
Rendeu homenagens ao tradicionalista gaúcho Coronel PM da Reserva Celso Souza Soares, ex-Deputado Federal e seu companheiro de cavalgadas, recentemente assassinado em Porto Alegre. Recordou a sua entrada no Plenário daquela Casa, no ano de 1999, quando entrou pilchado e fora colocado para fora. Entretanto, de teimoso, voltou para informar a todos que a sua indumentária é um traje de respeito, resultando desse ato a sua obra poética Deputado de Bombacha, parte dela recitada pelo seu autor, na tribuna: “Quem é gaúcho não barganha os seus símbolos sagrados. Por isso que vou pilchado: bota, bombacha, guaiaca e lenço. Para mim isso é consenso, e vestindo desse jeito eu vou ganhando respeito para dizer o que penso”.
A Pilcha Gaúcha é laica e democrática, assegurou Pompeo de Mattos. E o Rio Grande dos quartéis sempre esteve preparado para defender o nosso brasileiro território, para a guerra contra os castelhanos, a qual felizmente não veio; que queremos pontes com os nossos irmãos vizinhos, mas sem deixar de sermos gaúchos do Rio Grande.
O Dep. Mauro Benevides, ao manifestar-se da tribuna, teceu elogios a alguns gaúchos como o Dep Ibsen Pinheiro, Paulo Brossard, Cardeal Dom Aluísio Lorscheider, dentre outros; enalteceu a Epopéia Farrapa e os seus inúmeros aspectos que invalidam o alegado intuito separatista, assim como a elevada determinação e a grande dignidade do Povo Gaúcho Brasileiro, verificada na Paz do Ponche Verde, pois “povo que não tem virtudes, acaba por ser escravo”; que ao Povo Gaúcho o Brasil enaltece, efusivamente!
O representante do Governo do Rio Grande do Sul em Brasília, Fernando Guedes, agradeceu, em nome de Governadora Yeda Crussius, o trabalho desenvolvido pelos parlamentares gaúchos na Câmara dos Deputados, em prol de todos os brasileiros e de um Brasil mais justo. Ressaltou que a República Rio-grandense só fora proclamada em 1836, depois de esgotadas todas as tentativas de entendimento com o poder central, no sentido deste atender aos reclames dos Farrapos; que o sentimento farroupilha continua vivo em todo o Rio Grande do Sul; e que o Rio Grande segue a galope, em honra à felicidade de todos os seus filhos.
O Presidente da Federação Tradicionalista Gaúcha do Planalto Central, João Francisco Ioung Petroceli, agradecendo ao Dep. Pompeo de Mattos, pela defesa dos interesses dos gaúchos na Câmara dos Deputados, afirmou ter sido a Revolução Farroupilha um marco no Gauchismo; que gaúcho não é uma questão de geografia: basta querer que qualquer um pode ser gaúcho; que ser gaúcho é um orgulho e devemos isso aos Farroupilhas. E declamando versos da poesia Payada, de Jayme Caetano Braun, finalizou dizendo: “não há Brasil sem Rio Grande e nem tirano que mande na alma de um Farroupilha!”; e, parafraseando o nosso Hino, que “sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra!”.
O último orador foi o diretor da TV Brasília e apresentador do Programa Pampa e Cerrado, Raul Canal. Saudando o Dep. Pompeo de Mattos, por honrar a bancada gaúcha e o Povo Gaúcho Brasileiro naquela Casa Federal, asseverou que o ideal farroupilha não era separatista, porque foi o Povo Gaúcho que lutou para ser brasileiro; que o que falta ao brasileiro é o que o gaúcho tem: sentimento de amor à Terra, respeito à História e aos feitos dos antepassados; que o dia em que o Brasil tiver esses mesmos sentimentos ele haverá de ocupar o seu lugar devido ao lado das grandes nações do mundo.
Ao encerrar os trabalhos o Dep. Pompeo de Mattos convidou a todos para cantar o Hino Rio-grandense, que na Sessão Comemorativa deste ano, ao contrário do ano passado, não teve qualquer músico gaúcho para o acompanhamento musical. Contudo, as declamações gauchescas e os pronunciamentos dos oradores dessa Sessão Solene da Câmara dos Deputados, em Homenagem aos 173 anos da Revolução Farroupilha, certamente que poderão ser assistidas pelos telespectadores do Programa Pampa e Cerrado, apresentado por um dos integrantes da Mesa de Honra da referida solenidade, Raul Canal, e veiculado, aos domingos, para o público da Capital do Brasil, na TV Brasília.
FONTE: BOMBACHA LARGA

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